domingo, 19 de março de 2017

Tudo o que você precisa saber sobre potência de saída de áudio



Mais uma vez volto ao tema, desta vez com dados práticos e não vistos na literatura disponível. O texto deste blog é de relevância para o lojista, usuário ou integrador, pois com a proibição da indicação da potência PMPO pelo INMETRO e a consequente oficilização da potência RMS, que deve ser unicamente declarada nos produtos de áudio e vídeo, começaram a aparecer no mercado diversas formas de declarar essa potência RMS, sem que se indiquem maiores detalhes ou qual é a forma de medição. 

Na realidade, só existe uma forma de declarar potência RMS no Brasil: é a potência RMS medida pela norma IEC60268-3, que tem a norma brasileira NBR IEC60268-3 Edição 05-2011 como uma tradução da européia com poucas diferenças. Procure nas especificações dos fabricantes e você contará nos dedos de uma única mão quem declara a potência RMS de acordo com a norma.

O problema é que hoje há, no mercado, várias formas de declarar potência RMS. As formas mais usuais são:
   Potência RMS: sem detalhes adicionais, ela não quer dizer nada, pois aceita qualquer coisa, inclusive múltiplos da potência real RMS. Falta informação para deixar a coisa correta e nessa condição qualquer valor pode ser publicado. Veja a foto abaixo de um caso extremo fotografado pelo autor.
Potência RMS Contínua (normatizada): é a indicada na norma descrita acima, onde há parâmetros para a medição e sua declaração. Esta é a forma que o Inmetro esperava que todos os fabricantes usassem.
   Potência RMS Máxima:  é uma potência que alguns fabricantes declaram, que não é normatizada e que se convencionou ser o dobro da potência RMS contínua. Na realidade, essa potência nunca é obtida na prática em uso normal, e portanto trata-se apenas de um número inatingível em uso.

Vamos então comparar potência RMS Contínua e RMS Máxima na prática.

Para isso vamos analisar um produto AAT que fornece senoidalmente 60 W RMS. Abaixo temos um plot da tensão na carga com frequência senoidal de 1 kHz. 



O próprio equipamento de medição nos indica a tensão RMS correspondente a esse sinal, que está ligeiramente acima do ponto de clipping (valor máximo de potência do amplificador sem ceifamento da senóide), para tornar facilmente visível o ponto máximo.

Temos aí 22.2 VRMS, o que dá exatos 61.6 W RMS contínuos em 8 ohms a pouco mais de 1% de distorção. Essa é uma potência RMS real, contínua e com a distorção declarada de acordo com os valores ideais descritos na norma IEC. 

Agora vejam outra medição do mesmo produto: 



Nesse caso levamos o sinal de entrada a um valor bem superior ao especificado pelo produto de forma que a onda senoidal se transforma em um sinal clipado que se aproxima de uma onda quadrada. O equipamento de medição novamente vai nos indicar qual a tensão RMS obtida nessa situação, que é de 30.3 V RMS em 8 ohms, o que dá 114.8 W RMS máximos.
Conseguimos, somente com um artificio de medição, levar a potência RMS de 62W a 115W,  um aumento de 1.86 vezes. O que vemos como prática de mercado é que a potência RMS máxima é o dobro da potência RMS contínua. Imagine agora o que pode ser feito ao não se declarar o método de medição. Qualquer coisa vale. Temos abaixo um exemplo fotografado pelo autor (acervo pessoal):



Pergunto: você acredita nisso??? São 25.3 KW (!!!)
Lembro que a potência máxima obtida de uma tomada elétrica comum no padrão brasileiro de pino fino (cujo diâmetro é de 4 mm), em 120 V é 1200W. Um produto que usa este tipo de plug deve no máximo (com 100% de eficiência) ser limitado a este valor de 1200W. Um valor real considerando um produto muito eficiente é 1000 W RMS, no melhor caso.

Na dúvida, veja a declaração de potência consumida pelo produto no painel traseiro (quando ela existe - há casos em que o fabricante não declara esse valor). Qualquer produto não pode fornecer mais potência do que entra pela tomada.
 
Muitas pessoas me falam das potências declaradas nos aparelhos vendidos em grandes magazines, que são falsas e muito infladas. É fato, elas sempre foram e sempre serão. Apenas trocou-se a potência PMPO pelo RMS e os valores continuam inflados. Mas fique atento que no canal especializado há muita coisa inflada também. Hoje tem gente declarando 4500W RMS num produto portátil

Pergunto de novo: você acredita nisso?

quinta-feira, 9 de março de 2017

Obtendo a maior eficiência de seu Condicionador de Energia: a importância do aterramento verdadeiro



Esse post é resultado de perguntas feitas por clientes da AAT de como proteger melhor os equipamentos de áudio e vídeo usando nosso condicionador de energia AAT PWC-1. Como nossa equipe na AAT sempre recomenda e comenta sobre o aterramento verdadeiro e nossos parceiros levantaram dúvidas sobre aterramento, seguem abaixo algumas considerações sobre o assunto:

1 – BENEFÍCIOS DO ATERRAMENTO

O condicionador de energia necessita, para sua melhor performance, de que o aterramento seja de boa qualidade.  Um aterramento de boa qualidade vai proporcionar os seguintes benefícios para a proteção dos produtos de áudio e vídeo:

1.1 – Melhoria da proteção contra surtos de energia

Toda a corrente proveniente de um surto de descarga atmosférica de baixa ou média intensidade será enviada imediatamente ao terra, seja esta proveniente da rede elétrica ou da entrada de cabo coaxial ou ainda da rede telefônica ou de dados. Com isso, os seus produtos receberão apenas uma parcela ínfima da tensão da descarga atmosférica, que mesmo em surto de baixa intensidade pode chegar a 6 KV.

1.2 – Melhoria do desempenho dos filtros de Interferência (RFI)

Os ruídos provenientes de produtos que poluem a rede elétrica são filtrados com maior eficiência se o condicionador estiver aterrado, o que proporciona melhor qualidade de áudio e vídeo. Simplificadamente, a filtragem obtida dobra quando um aterramento de boa qualidade é realizado.

1.3 – Melhoria da proteção das entradas HDMI

Por decisão de projeto da AAT, a entrada de cabo coaxial proveniente do seu provedor de TV a cabo é aterrada no chassi do condicionador, diferentemente de outros produtos de mercado. Juntamente com a atuação do protetor, é uma proteção adicional que permite diminuir a incidência de falhas nas conexões HDMI, SE o condicionador estiver aterrado.  A falha da entrada HDMI é produzida por surtos elétricos que entram pelo cabo coaxial, seguem do decodificador de TV a cabo para a TV e/ou receiver, danificando essas entradas por excesso de tensão. Com o aterramento, a proteção da entrada do decodificador se torna efetiva, protegendo todo seu sistema e as entradas HDMI. Mas para ter esse benefício é necessário ter um terra verdadeiro.

Lembrando que estamos falando em uma melhoria da proteção das entradas HDMI e não uma solução definitiva que resolverá 100% dos casos. Os surtos de tensão que podem chegar à entrada de antena de TV a cabo podem ter magnitude superior aos que chegam pela rede elétrica, o que torna a situação crítica se não houver proteção OU não houver aterramento.

1.4 – Outras vantagens

Existem outras vantagens de se ter aterramento, entre elas evitar o risco de choques elétricos. Mas vamos nos ater ao assunto desse artigo.

2 – O ATERRAMENTO VERDADEIRO

Para que a proteção proporcionada pelo condicionador seja efetiva, um terra de boa qualidade (chamado de terra verdadeiro) é imprescindível. Essa terra é geralmente realizado por ao menos uma haste de cobre enterrada próxima à entrada de energia da residência ou prédio, onde a resistência máxima para o terra não pode ser superior a 10 ohms. O valor da resistência medida para um aterramento ideal deve ser abaixo de 5 ohms.

O terra fornecido por algumas instalações elétricas nem sempre é adequado à proteção efetiva de seus produtos. Há casos onde terra e neutro estão conectados na entrada da rede elétrica da instalação. Lembramos que não se deve usar o Neutro para aterramento, pois essa prática não garante a proteção de seus produtos.

A haste de aterramento deve ser ligada ao condutor de terra da caixa de entrada de energia e dali serem distribuídos pela rede interna até a tomada do condicionador, que deve ser tripolar. Cada circuito deve possuir o seu fio terra que será, então, conectado ás tomadas. A bitola do fio terra deve acompanhar a bitola do fio fase para instalações residenciais.  A cor padrão do fio terra é verde ou verde/amarelo. Após a instalação do fio terra, substitua as tomadas antigas, de 2 polos, pelas de 3 polos, ligando o fio terra no terceiro conector da tomada. 

Atente-se ao fato de que o condicionador utiliza plugue de pino grosso (4.8 mm), para correntes maiores. Utilize as tomadas correspondentes de pino grosso. Em hipótese alguma substitua o cabo de energia de seu condicionador pelo de pino fino (4 mm), para correntes menores.

Hoje prédios recentes são construídos obedecendo à norma brasileira NBR 5410 - Instalações Elétricas em Baixa Tensão. Logo, a aterramento das tomadas é obrigatório. Você deve inspecionar se essas regras estão sendo seguidas para a melhor proteção dos equipamentos. Caso contrário, verifique o que pode ser melhorado. 

Prédios antigos são o maior problema, pois muitos não oferecem terra em seu quadro de energia e muitas vezes o terra está conectado ao neutro. O fio neutro muitas vezes não está no potencial de terra, apresentando dezenas de volts em relação ao terra. Nesse caso a instalação deverá ser retrabalhada ou a proteção não será efetiva.

Dúvidas? Sugestões? O suporte da AAT está á sua disposição no e-mail: suporte@jyazbek.com.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Gabinetes e alinhamentos de caixas acústicas



Nesta postagem abordaremos os gabinetes e tipos de alinhamento utilizados em caixas acústicas. Como nosso foco está voltado aos alto-falantes do tipo dinâmico, os gabinetes se tornam parte integrante do sistema, seja este uma caixa pequena voltada para reprodução de som ambiente ou uma caixa acústica com propósitos mais sérios, voltada à reprodução de qualidade. Como vimos no mês passado, todos os tipos de caixa que utilizam alto-falantes do tipo dinâmico necessitam de um gabinete para funcionarem adequadamente.

A real importância do gabinete é que nele se montam os alto-falantes e que estes, ao reproduzirem o sinal sonoro, fazem com que o gabinete comece a vibrar um pouco e altere o som reproduzido. Em alguns casos o gabinete entra em ressonância em certas frequências produzindo um som bastante desagradável.  A necessidade de um gabinete sólido somente é percebida quando se compra uma caixa de baixa qualidade, construída com madeira do tipo aglomerado com espessura muito pequena e ao se ouvir uma passagem de um filme ou música com maior intensidade você descobre que o som está muito estranho e pouco natural, pois está sendo bastante alterado pela vibração ou ressonância do gabinete. Por esse motivo, os gabinetes têm de ser bem construídos, utilizando madeira de boa qualidade para evitar vibrações.  Uma medida de qualidade é verificar se a caixa é construída com madeira ou MDF de espessura suficiente (no mínimo 15 mm de espessura) para que esses problemas sejam minimizados. Nesse caso, peso é tudo: quanto mais pesado um conjunto, mais preocupação com a rigidez estrutural teve o fabricante. Produtos mais sofisticados utilizam internamente braços segurando as paredes internas para garantir ausência de vibrações. Hoje em dia, há também caixas com gabinete plástico ou metálico, das mais variadas qualidades construtivas, alguns sendo muito bem construídos, mas a melhor relação custo-benefício ainda é dada pela madeira de boa qualidade. 

Outra função do gabinete é garantir a alinhamento da caixa acústica conforme o fabricante a projetou. Ou seja, o volume interno da caixa e o alinhamento utilizado têm influência enorme na reprodução dos sons graves. Isso porque se um woofer não for montado em um gabinete, o som produzido pela frente do cone tende a cancelar o som produzido pela parte de trás dele, produzindo um cancelamento muito forte dos graves e resultando em um som muito ruim, do tipo “radinho de pilha”. O desenho do gabinete, com seu volume e alinhamento, define exatamente como será tratado o som da parte traseira do alto-falante, que pode ser não usado ou ser somado de forma correta ao som produzido pela parte frontal do woofer. Desse conceito surgem algumas formas de tratar o problema, que chamaremos de alinhamento. Por simplicidade, vamos falar aqui somente dos três tipos mais comuns de alinhamento, o refletor de graves, popularmente chamado de caixa dutada, o tipo selado ou suspensão acústica e o tipo chamado de radiador passivo.

Na próxima postagem afalremos sobre os diversos alinhamentos citados acima. Até breve!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Uma breve introdução sobre alto-falantes e caixas acústicas - Parte I

A função do alto-falante é transformar o sinal elétrico que ele recebe em um movimento de ar que corresponde à onda sonora. Existem três tipos de alto-falantes no mercado. São eles: o alto-falante dinâmico, o alto-falante tipo ribbon e o tipo eletrostático.

A esmagadora maioria dos produtos existentes no mercado de áudio utiliza o tipo dinâmico, que é o alto-falante tradicional que estamos acostumados a ver. Ele é composto por um cone (cujo formato varia do tipo tradicional a domos, domos invertidos e suas variantes), que no centro possui uma bobina que se movimenta dentro de um ímã permanente, quando a bobina é atravessada pelo sinal de áudio. Sua enorme popularidade é dada pelas seguintes características básicas: dinâmica extensa, sensibilidade elevada, capacidade de absorver potências elevadas, conceito e montagem bastante simples, impedância cujo valor é facilmente gerenciável pelos modernos amplificadores transistorizados e o preço baixo. Esses alto-falantes são produzidos aos milhões e seu custo é baixo. Essa combinação de fatores, com o preço sendo o item mais importante, faz com que a tecnologia dominante seja o tipo dinâmico.

Mas como nem tudo é perfeito, eles tem limitações de resposta em freqüência dada pelo seu tamanho. Uma caixa acústica que tenha como objetivo uma reprodução de qualidade usualmente possui uma combinação de alto-falantes dinâmicos de diversos tamanhos para conseguir responder desde os graves mais baixos até o extremo agudo do espectro de freqüências audíveis. Essa combinação de dois ou três alto-falantes no mesmo gabinete é bastante conhecida do público. Utiliza-se um woofer, um alto-falante de maior tamanho, com cone geralmente feito de papelão, plástico como o polipropileno ou kevlar (e mais uma infinidade de variantes menos comuns), para reproduzir os sons graves. Um tweeter, que é um alto-falante pequeno usualmente com seu cone em formato de domo, e geralmente feito de seda ou de um metal como alumínio, titânio e similares, é utilizado para reproduzir as freqüências médias e agudas. Em caixas mais sofisticadas utiliza-se um terceiro alto-falante para a reprodução dos sons médios, como a voz humana, de tamanho intermediário e com cones que podem ser tradicionais ou domo e materiais dos mais diversos como seda, papelão ou kevlar. Com essa solução, entram em cena os divisores de freqüência passivos, que fazem com que cada alto-falante receba somente o sinal que consegue reproduzir.
   
Já os alto-falantes planares do tipo ribbon (ou fita) são menos conhecidos do grande público, apesar de que nos últimos anos alguns produtos bastante acessíveis foram lançados no mercado utilizando essa tecnologia em seus tweeters. A grande vantagem dos ribbons é o baixo peso de sua fita, que se traduz em uma capacidade de responder a transitórios de forma mais rápida que os tradicionais alto-falantes de cone. Isso porque um alto-falante ribbon é feito basicamente por uma tira de matéria condutora fina e leve que é imersa em um conjunto de ímãs e nessa fita circula o sinal elétrico que produz o som. A capacidade de reproduzir som de forma extremamente clara e com detalhes dos transitórios musicais extremamente definidos faz com que o ribbon tweeter seja um produto que está atraindo cada vez mais usuários, conforme produtos mais acessíveis chegam ao mercado.

Mas as desvantagens deles são significativas: além do custo maior, eles são pouco sensíveis e têm impedância extremamente baixa, de forma que para serem utilizados com os amplificadores tradicionais é necessário adaptar um transformador para aumentar a impedância da caixa para algo próximo aos quatro ou oito ohms comuns dos alto-falantes dinâmicos tradicionais. Além disso, há a questão da reprodução dos graves, muitas vezes não tão satisfatória como aquela dos falantes dinâmicos. Dessa limitação surgiram as caixas acústicas híbridas, que utilizam um woofer tradicional dinâmico para a reprodução dos graves e ribbons para as freqüências médias e agudas ou somente para as agudas. A maioria das caixas acústicas no mercado que utilizam ribbon lançam mão dessa combinação híbrida, que proporciona uma performance muito interessante.

O alto-falante eletrostático já é mais difícil de ser visto do que os ribbons. Ele utiliza uma folha de material isolante como o mylar (um tipo de plástico) para gerar o som. Essa folha fica suspensa entre dois elementos chamados de estatores, e é energizada com alta tensão. O sinal de áudio percorre os estatores. A interação entre o campo eletrostático gerado pelo estator e o campo fixo gerado pela membrana isolante faz essa última vibrar e produz som. Painéis eletrostáticos têm a grande vantagem de serem ainda mais leves que os ribbons, produzindo som com mais dinâmica (ou seja, com um detalhamento extremo) que os ribbons. Mas isso não vem de graça: o grande problema desses alto-falantes é que eles têm de ser ligados à energia elétrica para funcionarem e gerarem alta-tensão. Trabalhar com alta tensão por si só já gera uma série de inconvenientes, como complexidade, segurança do produto e manutenção maior. Além do mais, eles são pouco sensíveis, precisando de muita energia para funcionarem de forma adequada e não tem também graves profundos. Usualmente um sistema eletrostático é auxiliado por um subwoofer dinâmico para que possa oferecer graves de impacto.

Os tipos planares como os ribbons e eletrostáticos podem irradiar som para frente e para trás se montados em uma estrutura aberta, que é o caso comum quando se usa uma solução sem o gabinete necessário para os alto-falantes dinâmicos. Por isso, esses produtos têm características diferentes dos alto-falantes dinâmicos, que são montados para produzir som somente para frente. Essa característica confere a eles uma dificuldade adicional para a colocação do equipamento no local de audição. Para que funcionem corretamente, gerando uma reprodução agradável, o posicionamento costuma ser crítico.

Dada a esmagadora presença dos alto-falantes dinâmicos no mercado de áudio, vamos nos limitar somente a esta tecnologia e deixaremos de lado os alto-falantes ribbon e eletrostáticos. Na realidade, a tecnologia de alto-falantes dinâmicos evoluiu tanto nos últimos anos que eles são a tecnologia dominante em produtos áudio, mesmo em produtos muito sofisticados que utilizam esses drivers em detrimento dos outros.



sábado, 12 de março de 2016

Como escolher seu subwoofer - um post para auxiliar o consumidor na escolha desse produto



Nesta postagem do blog vamos discutir um pouco sobre como escolher um subwoofer, tendo como base tudo o que foi abordado anteriormente nas postagens sobre o assunto e também algumas informações básicas adicionais sobre o ambiente em que o subwoofer será instalado.

Quando se necessita fazer a escolha de um subwoofer para um cliente ou tão somente para uso pessoal, a primeira questão a ser levantada é relativa ao tamanho do produto. Isso porque o subwoofer é um equipamento que necessariamente ocupa um espaço considerável e deve ficar posicionado de forma visível em um canto da sala. E muitos usuários desejam que o subwoofer tenha o menor tamanho possível. 

Já falamos que subwoofers em teto não são uma boa opção em função das vibrações que serão produzidas no gesso, por melhor que o gesso seja montado no teto do ambiente. A alternativa de escondê-lo em móveis também não é recomendada pelas possibilidades de vibração de partes do móvel quando o subwoofer está em uso. Essas vibrações, sejam do gesso ou do móvel, são incômodas para o usuário e muitas vezes são de difícil solução, fazendo com que o instalador usualmente gaste tempo e material na busca de uma solução para um problema que poderia ser evitado de antemão.

Em resumo, o subwoofer deve ser instalado em um canto de sala, preferencialmente na parte frontal da mesma, onde não deve haver móveis ou partes que possam vibrar por estar em proximidade com a onda sonora do subgrave produzido. Como já vimos, há um ganho acústico considerável quando se posiciona o subwoofer em um canto, de forma que isso é importante para um bom resultado final.

Existem no mercado alguns receivers com 7.2 ou 9.2 canais que exigem o uso de dois subwoofers posicionados no ambiente. Para esses casos, a regra é usar duas unidades, uma em cada canto frontal da sala.

Como regra geral, quando se utiliza apenas um subwoofer, recomendamos modelos de ao menos oito polegadas para salas de até 20 m2, modelos de dez polegadas para salas entre 20 e 30 m2 e modelos de doze polegadas para salas maiores. Essa é uma regra geral, e existem casos específicos onde o usuário exige um subgrave bastante forte. Nesse caso, subwoofers maiores precisarão ser usados para dar conta do recado.  

No caso dos subwoofers, o tamanho do alto falante é geralmente mais importante que a potência do produto, pois é mais fácil gerar graves potentes e profundos com um alto falante grande do que com um pequeno, por mais potente que o amplificador interno seja. Um falante pequeno não fará milagres, nem com processamento digital o auxiliando.  

As potências mais comuns encontradas em subwoofers para uso residencial são de 100 a 150W para subwoofers de oito polegadas, de 150 a 250W para subwoofers de 10 polegadas e acima de 250W para subwoofers de 12 polegadas. Naturalmente, estamos falando em potência RMS contínua e não de potência RMS máxima. As potências apresentadas acima também são uma regra geral, porém existem subwoofers com potências fugindo bastante a essa regra, geralmente com um custo de aquisição bastante superior. Mas não espere que o desempenho de unidades desse tipo, com muita potência, seja muito superior à média. O que ocorre é que há um forte aumento de custo nessas unidades de potência superior. Em uso residencial, potências reais (e cuidado com a declaração de potência real) ao redor dos valores descritos acima dão conta do resultado com folga.

Ao se usar dois subwoofers, a situação muda e passa a ser possível, por exemplo, utilizar-se duas unidades de oito polegadas em um ambiente de porte médio ou grande com excelentes resultados, pois se consegue uma maior pressão sonora com o uso de duas unidades e com isso, consegue-se trabalhar com subwoofers menores. Como a grande maioria dos subwoofers do mercado são bass-reflex, fica pouco provável o uso de outro tipo de sintonia para o produto. Quase a totalidade dos subwoofers é projetada como bass-reflex e alguns outros (em quantidade muito menor) em suspensão acústica.

Muitas vezes, em uma instalação, o subwoofer é rejeitado pelo cliente, pois é visto como uma caixa preta, sem design e com acabamento em vinil imitando madeira, o que destoa completamente da decoração do ambiente. Isso mudou muito nos últimos anos, com o surgimento de subwoofers com design “clean” e acabamento sofisticado, que não interfere negativamente na decoração do ambiente. Essa tendência acaba conquistando o público feminino, que sempre foi reticente em relação àquela caixa preta e mal acabada que ficava poluindo a decoração. E hoje existem subwoofers coloridos em laca em qualquer cor, fazendo com que o produto se adeque ao ambiente em questão, e não precise ser mais escondido.

Um outro item a ser considerado na escolha correta do subwoofer é a facilidade de conexões. Entradas RCA são comuns, mas em alguns casos se torna necessário ter a disponibilidade da entrada de alto nível para ligação em sistemas estéreo ou em sistemas de Home Theater de entrada, os chamados “in a Box”. Uma entrada de alto nível de boa qualidade, que funcione bem com um receiver “in a Box”, pode ser uma excelente solução para fazer um upgrade de subwoofer nesses sistemas, que usualmente usam subwoofers passivos por uma questão de custo.

O tipo de amplificação se torna importante somente em sistemas de maior preocupação com a performance. Sistemas com amplificadores digitais classe D são maioria no mercado, pois apresentam custo de fabricação mais baixo. Mas amplificadores classe AB ainda apresentam melhor performance, mesmo oferecendo potências menores. Tanto é que, no momento atual, os subwoofers mais conceituados no mercado de áudio profissional para uso em estúdio são classe AB. Lembrando novamente a questão da potência, conforme já alertamos diversas vezes nessa coluna, o que vale é a potência RMS medida pela norma ABNT NBR IEC 60268-5 e esta deve ser especificada como contínua RMS e não potência máxima ou potência RMS máxima. Atenção para esse detalhe muito importante.

Por último, é sabido que existem subwoofers voltados para uso em Home Theater e outros voltados para a reprodução de áudio. Alguns outros modelos estão na fronteira entre ambos, áudio e Home Theater. A diferença principal entre eles é que subwoofers para Home Theater podem apresentar uma característica especial, que é a de reforçar frequências na região de explosões e outros efeitos especiais do cinema. Isso faz com que eles sejam excepcionais para filmes e ruins para música. Há modelos que são mais planos e, portanto, mais musicais, ou seja, são mais adequados para a reprodução de música. E existem aqueles que tentam abraçar os dois mundos com uma solução de compromisso entre os dois mundos. Ela é perfeitamente possível e o resultado costuma ser agradável em ambas as situações. Quando estiver avaliando a compra de um subwoofer, verifique a proposta dele, se ele atende somente ao mercado de Home Theater ou se possui alguma característica adicional que o credencie para o uso em música. Isso pode revelar a proposta do produto e algo mais sobre a sua performance.

Ao ouvir um subwoofer, após posicioná-lo no local adequado e ajustar o nível sonoro, cross-over, casamento das caixas e fase, uma audição crítica irá revelar muito sobre o produto. Um bom subwoofer tem resposta que desce aos mais baixos tons graves, reproduzindo-os com autoridade e de forma rápida e seca. O grave tem de ser firme, rápido e sua extinção deve também ser rápida. A caixa não deve ficar entrando em ressonância em certos tons graves, o que em casos extremos caracteriza os chamados “graves de uma nota só”, que são pouco musicais, não tem harmonia com a música tocada e são bastante desagradáveis de se ouvir. Esses subwoofers são mais comuns do que se imagina, e são a maioria no mercado de subwoofers automotivos. Essa característica denota um produto de baixa qualidade e pode funcionar bem em filmes de ação, mas é um desastre em condições musicais. Tons graves diversos e musicais em consonância com o programa a ser ouvido caracterizam um subwoofer musical. Portanto, considere ouvir músicas conhecidas que possuam um conteúdo de graves intenso e presente e avalie o resultado final. Se for necessário realinhar o subwoofer ou o sistema, o faça e reavalie novamente. Só após uma audição critica será possível determinar se um subwoofer é bom ou ruim.